Somente 3,2% das escolas têm internet adequada para aulas online

Notícias - 9, junho, 2021
Fonte: Fundação Lemann

Um levantamento feito pela Fundação Lemann, com base nos dados disponíveis pelo Censo 2020 e pelo Medidor SIMET, mostra que apenas 3,2% das escolas do Brasil cadastrados nesta plataforma têm velocidade adequada, em padrão internacional, para oferecer aulas online. Para contribuir com a mudança deste cenário, a Fundação Lemann, o NIC.br e a Sincroniza Educação, com apoio de parceiros como Cisco, Instituto Claro e Rede Mulheres do Brasil, lançaram nesta segunda-feira (07/06) a campanha Nossas Escolas Conectadas 2021, para apoiar secretarias de Educação e escolas de todo o país a instalar o Medidor SIMET.

A ferramenta gratuita, desenvolvida pelo NIC.br, monitora a qualidade da conexão de internet e permite o acompanhamento em tempo real das métricas de banda larga fixa nas escolas públicas do país. O Medidor é considerado um dos melhores instrumentos do mundo para identificar em quais unidades de ensino alunos e professores ainda necessitam de acesso à internet de qualidade.

Durante o webinar de lançamento, que teve convidados internacionais, a gerente de Conectividade da Fundação Lemann, Cristieni Castilhos, ressaltou a importância da utilização da ferramenta por todos os agentes da rede pública. “Até mesmo o aluno, o professor, o diretor, a comunidade, todos podem se envolver nesse momento para conseguirmos instalar esses medidores de conectividade e, aí sim, ter os dados que precisamos para poder fazer um bom uso da internet, garantindo o uso pedagógico”, disse.

Os dados colhidos pelo Medidor são públicos e registrados em um Mapa Nacional de Conectividade, em que secretários e diretores podem consultar os números de velocidade e outras informações sobre a internet da sua escola.

Jack Lynch, chefe de operação da EducationSuperHighway, ONG responsável por apoiar tecnicamente as escolas americanas a resolver o problema da falta de conectividade, conseguindo conectar 99% das escolas nos EUA, mostrou que o primeiro passo foi a coleta dos dados. “Depois de atribuir um número ao problema, você consegue entender o tamanho do buraco, quais recursos são necessários, e estabelecer metas para resolvê-lo”, disse.

A relevância da coleta dos dados também foi mencionada por Caio Callegari, secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes (SP), que é um exemplo para as demais redes de ensino por ter mais de 90% das escolas com o medidor de velocidade instalado e com 58 mbps de velocidade. Apesar de estar bem acima da média nacional, que é de 17 mbps, essa velocidade ainda é insuficiente para a retomada das aulas em modelo híbrido. Para que um professor possa fazer uma chamada de vídeo com metade dos alunos que ficou em casa seria necessário mais de 100 mbps. “Sem monitoramento da conectividade, não temos base sólida para planejamento de ações e para tomada de decisão”, afirmou.

O secretário de Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, o 1º Embaixador da Campanha Nossas Escolas Conectadas, anunciou durante o webinar que 100% das escolas da rede devem instalar o Medidor. “É fundamental que a gente coloque o Medidor na mão do estudante, na mão de toda a escola, que todo o processo seja o mais democrático, para que haja uma cobrança em cima dos gestores públicos”, disse Rossieli.

Se você é aluno, se você é da comunidade, um professor, diretor, gestor, é importante a gente lembrar, chegar na escola e perguntar: como está a internet na minha escola? Se juntos fizermos esse esforço, conseguimos dar um salto muito importante.

Cristiene Castillos, gerente de Conectividade da Fundação Lemann


Dia C

A campanha ainda propõe que as redes de ensino organizem um dia para fazer a instalação do Medidor em todas as suas escolas – o Dia C, Dia da Conectividade. Se desejarem, as redes podem contar com o apoio do NIC.br, da Fundação Lemann e da Sincroniza Educação para a realização do Dia C.

“Venham ajudar a transformar a educação brasileira, por meio de dados públicos, transparentes. É por aí que a gente muda o país. A educação tem um papel central”, convidou Paulo Kuester, analista de projetos do NIC.br e um dos idealizadores do projeto.

Internet, ensino e pandemia

Em 2020, houve uma ruptura nas práticas de ensino e aprendizagem e toda forma de contato entre professores e estudantes precisou de outros meios para acontecer, sobretudo com a ajuda da internet. Com a retomada das aulas em um modelo híbrido, os professores precisarão encontrar a escola conectada para conseguir atender os alunos que estão em casa também.

“Os alunos agora vão chegar às aulas com uma mentalidade um pouco diferente, e as ferramentas tecnológicas que eles se viram forçados a utilizar durante a pandemia começarão a ser utilizadas em sala de aula”, afirmou Camilo Jiménez Santofimio, diretor de Infraestrutura do Ministério das Tecnologias da Informação e Comunicação da Colômbia, que lançou o Plano Nacional de Conectividade Rural, para que regiões rurais e remotas também tenham internet.

Uma pesquisa encomendada pela Fundação Lemann ao Datafolha ouviu professores de todo Brasil e mostrou que eles também consideram a internet das suas escolas inadequada e 73% dos educadores disseram que, mesmo após a pandemia, vão utilizar mais tecnologia no ensino do que usavam antes.

Veja o Resumo Executivo com os dados de conectividade na rede pública.