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Sem socorro do Tesouro nem empréstimo de bancos, Correios podem não pagar 13.º

Publicado em 11, dezembro, 2025
Notícias - 11, dezembro, 2025

A crise financeira dos Correios instalou um clima de apreensão entre os funcionários, que temem não receber o 13.º salário se não houver o aporte emergencial de R$ 6 bilhões solicitado ao Tesouro. O socorro é necessário enquanto o governo viabiliza o empréstimo de R$ 20 bilhões junto a instituições financeiras para sanear a empresa, que já acumula um prejuízo recorde de R$ 6,1 bilhões neste ano até setembro.

O presidente da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP), Roberval Borges Corrêa, acredita que o dinheiro saia até a data limite, 20 de dezembro. “Sem esse aporte, não há garantia nem de pagamento do 13.º e outros compromissos”, diz, cobrando a responsabilidade do Executivo.

“É uma situação inédita e nós esperamos que o governo assuma sua responsabilidade, porque ele é o responsável pela manutenção do serviço universal e é o único acionista da empresa.”

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou nesta quarta-feira (10) que trabalha nas duas frentes. “Um caminho é o aporte, que pode se tornar necessário se nós não chegarmos a um acordo com o pool de bancos que vai financiar a reestruturação da companhia”, disse. “Não vamos ficar com a faca no pescoço por conta da incompreensão da parte de uma ou outra instituição financeira.”

Para Corrêa, o aporte deve sair porque é obrigação da União. “Ao longo da sua história, a empresa não recebeu um centavo da União para prestar esse serviço”, afirma.

Segundo ele, o modelo histórico dos Correios prevê que a empresa gere receitas próprias para financiar a universalização, que já custa neste ano quase R$ 5 bilhões — volume que a companhia não consegue mais sustentar.

“Se os Correios fossem decidir sozinhos, como empresa, eles não manteriam 80% da rede de agências, porque elas são deficitárias. Elas existem para atender o cidadão.”

Empréstimo pode ser única opção para Correios

Apesar da fala de Haddad, o uso de eventual recurso dentro do arcabouço demandaria a publicação de um novo Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas. Isso requer, no mínimo, dez dias, já que é preciso solicitar projeções atualizadas a todos os ministérios. Até lá, o ano legislativo já teria praticamente se encerrado.

Por isso, técnicos da Fazenda não preveem tempo hábil para autorizar o aporte, o que torna o empréstimo a única opção viável para que a empresa consiga honrar seus compromissos ainda este ano.

Mas o tema segue em compasso de espera. Mesmo com o aval do Tesouro, cinco bancos (Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra) impuseram juros considerados elevados para uma operação com garantia soberana: quase 136% do CDI, ao redor de 20% ao ano.